Perfilação Criminal

Parafilia e a agressão sexual, da fantasia à necrofilia

 

 

ATOS IMPULSIVOS E ATOS COMPULSIVOS (Dalgalarrondo)

 

 

Atos impulsivos

Em contraposição à ação voluntária, há os atos impulsivos, que são uma espécie de curto circuito do ato voluntário, um salto da fase de intenção à fase de execução. O ato impulsivo abole abruptamente as fases de deliberação e decisão, em função tanto da intensidade dos desejos ou temores (conscientes ou inconscientes) como da fragilidade das instâncias psíquicas implicadas na reflexão, na análise, na ponderação e na contenção dos impulsos e dos desejos.

A impulsividade é definida como uma predisposição para agir e reagir de forma rápida, não planejada, respondendo a estímulos externos ou internos com pouca ou nenhuma preocupação sobre as possíveis consequências negativas para si e/ou para os outros.

  1. São realizados sem fase prévia de deliberação e decisão.
  2. São realizados, de modo geral, de forma egossintônica, ou seja, o indivíduo não percebe tal ato como inadequado, não tenta evitá-lo ou adiá-lo. O ato impulsivo frequentemente não é contrário aos valores morais e, sobretudo, aos desejos de quem o pratica.
  3. São geralmente associados a impulsos patológicos, de natureza inconsciente, ou à incapacidade de tolerância à frustração e à necessária adaptação à realidade objetiva. Da mesma forma, o indivíduo dominado pelo ato impulsivo tende a desconsiderar os desejos e as necessidades das outras pessoas.

 

 

Atos compulsivos (ou compulsão)

Os atos compulsivos, ou compulsões, diferem dos atos impulsivos por serem reconhecidos pelo indivíduo como indesejáveis e inadequados, assim como pela tentativa de refreá-los ou adiá-los. A compulsão é geralmente uma ação motora complexa que pode envolver desde atos relativamente simples, como coçar-se, picar-se, arranhar-se, até rituais compulsivos complexos, como tomar banho de forma repetida e muito ritualizada, lavar as mãos e secar-se de modo repetitivo e/ou estereotipado, por inúmeras vezes seguidas, etc.

A compulsividade, por sua vez, é descrita como a realização de comportamentos (geralmente motores, mas podem ser comportamentos mentais) repetitivos de modo mais ou menos estereotipado, podendo seguir regras rígidas ou servir como meio de evitar (sem base realística) consequências negativas, em geral relacionadas às ideias obsessivas.

Os atos e os rituais compulsivos apresentam as seguintes características:

  1. a vivência frequente de desconforto subjetivo por parte do indivíduo que realiza o ato compulsivo.
  2. São egodistônicos, isto é, experienciados como indesejáveis, contrários aos valores morais e anseios do paciente.
  3. Há a tentativa de resistir (ou pelo menos adiar) à realização do ato compulsivo; há luta entre a compulsão e a vontade do indivíduo (no ato impulsivo não há essa luta).
  4. Há a sensação de alívio ao realizar o ato compulsivo, alívio que logo é substituído pelo retorno do desconforto subjetivo e pela urgência em realiza-lo novamente.
  5. Os atos ocorrem frequentemente associados a ideias obsessivas muito desagradáveis, representando, muitas vezes, tentativas de neutralizar tais pensamentos. O indivíduo tem um pensamento obsessivo desagradável, como a ideia de que é impuro ou está contaminado; sente, então, a necessidade de lavar-se compulsivamente, e isso alivia de forma transitória os pensamentos de ser contaminado. Logo após o alívio, os pensamentos obsessivos retornam à consciência do paciente, e ele se sente novamente forçado a realizar o ato compulsivo neutralizador.

Fonte: DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 329-331

 

No livro Anatomia da Violência, há uma citação que relaciona o baixo nível de Serotonina e o alto nível de Dopamina, como fatores que podem gerar o estopim, ocasionando assim, o comportamento agressivo:

“Níveis muito elevados de dopamina, o neurotransmissor que promove o comportamento de busca e recompensa, bem como o uso abusivo de drogas. Filiaggi teve o pior dos dois mundos – uma combinação de busca-recompensa junto com uma inibição reduzida.”

 

Por que os baixos níveis de serotonina resultam em violência?

Esse neurotransmissor é um estabilizador do humor que tem uma função inibitória no cérebro. Acredita-se que seja uma das travas biológicas para o comportamento impulsivo, impensado. Ou seja, quanto menos serotonina você tem, mais imprudente pode ser.

Pesquisas com exames de imagens do cérebro mostraram que as pessoas que receberam uma bebida que reduz esse neurotransmissor pela depleção do triptofano – um aminoácido essencial para sua produção – são mais propensos a retaliar quando recebem uma recompensa injusta em um jogo. Sem a serotonina, ficam chateados com mais facilidade quando irritados. Combine uma predisposição a baixos níveis desse neurotransmissor a uma situação social injusta que irrita você, e basta um passo para acionar seu estopim.

Fonte: A Anatomia da Violência: As Raízes Biológicas da Criminalidade de Adrian Raine

 

Parafilia

 

A parafilia, como conceito biomédico, refere-se à excitação sexual em resposta a objetos, situações ou indivíduos sem direito a preconceitos que estão fora da gama de interesses sexuais habituais. De acordo com o DSM-V, a parafilia é definida como “qualquer interesse sexual intenso e persistente que não seja o interesse sexual em estimulação genital ou acariciamento preparatório com parceiros humanos fenotipicamente normais, fisicamente maduros e consentidos” (Associação Americana de Psiquiatria 2013, 685).

Simplificando, é um padrão de excitação sexual persistente, intenso e atípico que ocorre independentemente de causar algum sofrimento ou prejuízo, e que, por si só sem causar danos ou angústias, não seria considerado psiquiatricamente desordenado (Primeiro de 2014). Money (1999), por exemplo, identificou e nomeou mais de 136 formas diferentes de parafilia, enquanto, Aggrawal (2009a) estimou que existem pelo menos 547 categorias diferentes de parafilias.

Parafilias são diagnósticos relativamente comuns entre agressores sexuais violentos (Chan e Beauregard 2016; Chan et al. 2015). A prevalência de parafilia entre agressores sexuais varia de 58 a 98%, sendo a pedofilia e o sadismo sexual as parafilias mais diagnosticadas. Outras parafilias comuns na população de agressores sexuais incluem fetichismo, exibicionismo e voyeurismo. A comorbidade de múltiplas parafilias não é incomum. Em muitos casos, esses comportamentos funcionam como uma motivação primária naqueles que cometem assassinatos sexuais, particularmente assassinatos de luxúria (ou seja, assassinato sexual sádico, também conhecido como “erotofonofia”; Arrigo e Purcell 2001). Várias parafilias são comumente associadas ao homicídio sexual, como mutilações de partes do corpo e necrofilia (Chan e Heide 2009).

 

Segundo o Dr. Eric Hickey, em uma de suas brilhantes aulas, quando falamos de agressão sexual, não podemos deixar de mencionar o psicopata, principalmente o psicopata real, aquele que pontua de 30 a 40 na escala Hare, devido ao seu desejo por controle e que neste contexto cometem o crime.

Ainda para Hickey, o DSM-V descreve três grandes classificações de parafilias.

  1. Preferência pelo uso de um objeto não humano para fins sexuais excitação
  2. Atividade sexual repetitiva com humanos que envolve ou simulado sofrimento ou humilhação
  3. Atividade sexual repetitiva com parceiros sem consentimento

 

NEM TODOS OS AGRESSORES SEXUAIS SÃO PARÁFILOS E NEM TODOS PARÁFILOS SÃO AGRESSORES SEXUAIS

Algumas explicações para a parafilia incluem:

(1) Psicodinâmica – comportamento psicodinâmico-parafílico como manifestação de conflitos não resolvidos durante o desenvolvimento psicossexual;

(2) Comportamental – a parafilia comportamental é desenvolvida através de condicionamento, modelagem, reforço, punição e recompensas, o mesmo processo que a atividade sexual normal é aprendida;

(3) Cognitiva – a parafilia cognitiva torna-se substituta do funcionamento social e sexual adequado ou da incapacidade de desenvolver relações conjugais satisfatórias;

(4) Biológico– hereditariedade, ambiente hormonal pré-natal e fatores que contribuem para a identidade de gênero podem facilitar interesses parafílicos.

(5) Interacional — que o desenvolvimento da parafilia é um processo que resulta de fatores psicodinâmicos, comportamentais, cognitivos e biológicos. Outras explicações estão ligadas ao mau funcionamento cerebral e anormalidades cromossômicas. (Sarason e Sarason, 2004).

 

O DSM-V oferece outras explicações possíveis para interesses e comportamentos parafílicos, incluindo transtorno ciclotímico, que é semelhante a pessoas bipolares que apresentam distúrbios crônicos e flutuantes de humor, incluindo sintomas hipomaníacos que podem apresentar hipersexualidade.

 

O estilo de apego inseguro desenvolvido em resposta a práticas disfuncionais de paternidade pode gerar sentimentos de inadequação e inferioridade aos outros e falta de autoconfiança e habilidades sociais para iniciar ou manter relações íntimas consensuais com outras apropriadas. É supor que tais problemas, por sua vez, possam promover baixos níveis de intimidade e satisfação em relacionamentos românticos e solidão emocional séria e crônica, abstinência e atitudes negativas (como raiva e hostilidade) em relação a parceiros em potencial, levando a uma aposentadoria progressiva do mundo real e refúgio em um mundo interno de fantasias sexuais desviantes, a fim de satisfazer necessidades relacionadas ao apego à intimidade,  proximidade emocional, ou poder. Tal combinação de apego inseguro, problemas interpessoais e uso de fantasias sexuais desviantes como um meio de alcançar a intimidade, poder ou controle ausente da realidade pode predispor à ofensa sexual.” (R. Maniglio, 2012)

 

Algumas considerações importantes em relação à parafilias e comportamento desviante:

  • Traumas na primeira infância, como o abuso sexual, têm sido ligados ao desenvolvimento de comportamentos parafílicos (Burgess et al., 1986; Hickey, 2006; Purcell e Arrigo, 2001).
  • A exposição ao comportamento incestuoso, seja como vítima ou como testemunha, afeta o desenvolvimento psicossexual dos indivíduos. (Beauregard, Lussier, e Proulx, 2004).
  • Em um estudo com 95 predadores sexualmente violentos, Stinson, Becker e Sales (2008) descobriram que comportamentos antissociais estavam correlacionados com parafilia e abuso de substâncias.
  • Seto (2008) também observou que a desregulação emocional nas crianças pode afetar suas relações entre pares e preparar o palco para que elas busquem crianças para lidar com seus estressores emocionais.
  • Grant (2005) descobriu que a depressão severa em homens adultos está altamente correlacionada com comportamentos parafilicos e controle de impulsos.
  • Burgess et al. (1986) observaram em seu Modelo Motivacional que três fatores importantes estão correlacionados com aqueles que se tornam predadores sexuais: eventos traumáticos, fracasso no desenvolvimento e colapso interpessoal.
  • Howitt (2004) concluiu que muitos pesquisadores têm notado correlações significativas entre fantasias sexuais desviantes e incidentes de abuso infantil.
  • Por sua vez, esses machos emocionalmente danificados desenvolvem fantasias sexuais normais, bem como fantasias sadomasoquistas. (Smith et al., 2005).
  • De fato, jovens que se envolvem em comportamentos parafílicos compulsivos também se envolverão em fantasias sexuais desviantes (Hazelwood e Warren, 2004; Schlesinger, 2004).

Ressler et. al.(1988), em seu estudo de 36 assassinos sexuais, explicam a fantasia como um processo e não apenas uma experiência. As fantasias podem começar muito cedo e parecem aumentar com o tempo. Eles relatam vários casos em que os agressores estavam envolvidos na construção precoce de fantasias agressivas, incluindo “rituais sexualizados” ou a repetição de atos sexuais.

 

Money (1984) e Freund (1990) referem-se a distúrbios de namoro que os agressores sexuais desenvolvem com suas vítimas. Esses transtornos, como voyeurismo, frotteurismo, exibicionismo e sonofilia, são tentativas de desenvolver relações fantasiadas com outras pessoas.

Em um mundo de fantasia sexualmente desviante paralelo, homens com parafilia desenvolvem relações sexuais com suas vítimas que foram fantasiadas e depois vitimadas. Assim como uma pessoa normal que busca intimidade, o parafílico busca conexão com os outros. Essas relações sexuais não consensuais ou anexos parafílicos relacionais (RPA) são suportados na fantasia e explorados em comportamento sexualmente desviantes. (Hickey, 2013)

 

 

À MEDIDA QUE ESSAS RAMIFICAÇÕES DE COMPORTAMENTOS PARAFÍLICOS SE FUNDEM EM UMA PARAFILIA SECUNDÁRIA, MUITAS VEZES HÁ DANOS FÍSICOS ÀS VÍTIMAS.

É durante a agressão sexual, tortura e degradação que fantasias do trauma infantil original que podem se manifestar em atos de violência. Em alguns casos, 10 ou 20 anos podem ter caducado desde que ocorreu o evento traumático; em outros, apenas um curto período de tempo pode ter passado.

Dr. Eric Hickey também cita que, há pessoas que podem ter uma autoestima tão baixa, que podem preferir estar com uma pessoa morta ou inconsciente, ao invés da presença de uma pessoa viva ou que possa interagir. Isso também pode representar a presença de alguma disfunção sexual, algum trauma que o limite de interação.

Algumas parafilias são legalmente aceitas (certos fetiches), enquanto outros envolvem atividades criminosas. Entre esses dois espectros encontra-se uma área cinzenta de definir a atividade sexual como criminoso ou não criminoso. Tais definições frequentemente exigem um exame da concepção legal de crimes que geralmente envolvem questões de consentimento e agressividade (Smallbone e Wortley, 2004, p. 176). Importante conhecermos as diferenças entre o agressor e o predador sexual, no contexto da perfilação criminal:

 

 

AGRESSORES SEXUAIS

  • Cometer apenas um crime
  • Geralmente apenas uma vítima
  • Frequentemente familiar
  • Não progressivo
  • Não é uma ameaça para a comunidade em geral
  • Não psicopata
  • Geralmente não parafílico
  • Ameaçado de tratar/controlar

 

 

PREDADORES SEXUAIS

  • Cometer muitos crimes sexuais
  • Múltiplas vítimas ou múltiplas conta com uma vítima ao longo do tempo
  • Tanto estranho e/ou parente
  • Exploração progressiva
  • Representar uma ameaça para a comunidade em geral
  • Frequentemente psicopata
  • Frequentemente apresentam múltiplas parafilia
  • Normalmente não é passível de tratamento

 

 

Os predadores sexuais geralmente desenvolvem relações sexuais ou anexos parafílicos relacionais (RPA) às suas vítimas. Esses relacionamentos parafílicos são nascidos na fantasia e explorados em comportamentos sexualmente desviantes. Níveis de psicopatia parecem ser maiores em infratores que desenvolvem formas específicas de parafilia criminal sádica. Eric Hickey, Ph.D

A exemplo dos pedófilos quando falamos em parafilias, estes também podem ser enquadrados como parafilia primária e secundária. Por exemplo, a pedofilia pode ser vista como dominante ou comportamento parafílico secundário de um infrator. No entanto, o pedófilo também pode ter se envolvido em uma variedade de atividades sexuais primárias comportamentos desviantes, como voyeurismo, escatologia ou exibicionismo no desenvolvimento de relacionamentos íntimos. Isso é parafilia de exploração para o desenvolvimento de desvios sexuais relacionamentos. Embora a necessidade de controle esteja sempre presente em parafilia primária, não se manifesta em violência (Hickey, 2013).

Todos os predadores sexuais são assediadores, aprendem técnicas de assédio, dentre as parafilias mais comuns entres os predadores assediadores, podemos citar:

  • Voyeurs – Perseguição/Espreitadela
  • Exibicionistas – Exposição Genital a Estranhos
  • Frotteurs – Contato Sexual com Estranhos (esfregando-se em pessoas em um ônibus, etc …)
  • Fetichismo – Roubo, Roubo, Assassinato…
  • Necrófilos – Prostituição, Sepulturas, Funerárias
  • Gerontophiliacs – Perseguição, Roubo, (progressivo)
  • Hebefílicos – Predadores focados na idade
  • Escatofílicos – Chamadas Telefônicas Obscenas
  • Somnophiliacs – Hot Burglaries (muito progressivo)

 

Formação da conduta e o desenvolvimento moral

 

O desenvolvimento moral refere-se ao desenvolvimento gradual dos conceitos de certo e errado, consciência, valores éticos e religiosos, atitudes sociais e comportamento de uma pessoa. A região frontal é a última que conclui a sua forma, é onde temos o córtex pré-frontal, que estabelece as relações sociais, personalidade/comportamento. A parafilia, pode iniciar na fase da adolescência, ainda no início da formação da moralidade, conduta, do indivíduo. Nesta fase, pode ser observado, inclusive, o início do comportamento desviante. É possível que as fantasias comecem a aparecer e ganhar força ao longo do tempo. Pode ser comum a presença do voyeurismo.

Na psicologia do desenvolvimento, as investigações centradas no desenvolvimento moral têm se concentrado principalmente no julgamento e raciocínio moral. O psicólogo suíço Jean Piaget (1948) foi um dos pioneiros no estudo de como as pessoas simbolizam mentalmente as regras sociais e como fazem julgamentos com base nas regras sociais. Ele levantou a hipótese de que a moralidade se desenvolve em uma série de etapas e estágios. Cada estágio moral depende de estágios anteriores, juntamente com as habilidades intelectuais e cognitivas e as experiências sociais do indivíduo. O psicólogo do desenvolvimento Lawrence Kohlberg (1976) revisou substancialmente a formulação piagetiana e gerou uma quantidade considerável de interesse de pesquisa sobre o tema. Kohlberg acreditava que o processo de moralidade está fundamentalmente preocupado com justiça e equidade, e é um processo que continua ao longo da vida.

 

Comportamentos sexuais são algumas das áreas de estudo mais interessantes, mas complexas até hoje. Por que as pessoas se envolvem em comportamentos sexuais desviantes enquanto outras não são um fenômeno que tem sido amplamente pesquisado por inúmeros teóricos, incluindo Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Freud é amplamente conhecido por suas teorias controversas centradas em comportamentos sexuais e ideação. Acredita-se que seu fascínio pela genitália e sexualidade influenciou suas teorias sobre sexualidade humana e personalidade. Portanto, a teoria freudiana histórica é empregada para explicar a etiologia de comportamentos sexualmente desviantes.

 

Teoria da Sexualidade – Danica Ivancevich explica no livro Deviance Theories on Behaviors que Freud acreditava que todos tinham uma predisposição à perversão. No entanto, instintos e comportamentos sexuais desviantes só se tornam perversões quando são fixados e substituem o objetivo sexual normal (atos sexuais). Pessoas com e sem anormalidades mentais levam vidas sexuais desviantes, indicando assim que a intensidade da perversão é influenciada pelas experiências de vida. Pessoas com perversões podem realizar atos sexualmente enquanto pessoas com neuroticismo reprimem insuficientemente seus desejos sexuais, que reaparecem como sintomas. Aqueles que têm reprimido com sucesso esses desejos são capazes de levar vidas sexuais normais, mas sofrem de sintomas neuróticos, enquanto aqueles que não suprimiram seus pensamentos levam vidas sexuais desviantes.

 

SOMNOFILIA: FANTASIA DE PODER E CONTROLE

 

O TRANSTORNO PARAFÍLICO, é definido como algo que causa sofrimento ao portador e/ou a vítima. Nestes casos, a fantasia transcende o que pode ser aceito como algo saudável ou de curiosidade do indivíduo, ampliando sua necessidade de excitação para um nível prejudicial e perigoso.

A sonofilia é diagnosticada quando se considera que há comprometimento significativo, geralmente resultante de um ato sexual realizado sem o consentimento do outro parceiro. É uma parafilia na qual a excitação sexual e/ou orgasmo são estimulados por ver uma pessoa dormindo, sedada ou desmaiada, sentir desejo em acariciá-la sexualmente sem que acorde, mas não com força ou violência. O olho virando antes de desmaiar também pode causar excitação.

O psicólogo John Money ligou a sonofilia à necrofilia, ou excitação sexual ou relação sexual envolvendo cadáveres, no final de 1900.  Money acreditava que a sonofilia e a necrofilia eram entidades separadas, mas sugeriu que a sonofilia tinha o potencial de se transformar em necrofilia. Outros teóricos acreditam que a sonofilia é um tipo de necrofilia em que ambas as condições envolvem atração sexual por aqueles que estão inconscientes e não consentem.

Rosman e Resnick, ofereceram um modelo tripartido que distinguia entre necrófilos genuínos e pseudonecrófilos.  Os pseudonecrófilos têm apenas uma atração transitória por cadáveres, com preferência pelo contato sexual com os vivos (Rosman e Resnick 1989 :154). Pseudonecrophilia, por outro lado, é caracterizado por “uma atração passageira por um cadáver, mas cadáveres não são objeto de fantasias sexuais [do agressor]… prefere contato sexual com parceiros vivos”

Dr. Eric Hickey, em uma de suas aulas cita o seu livro (Serial Murderers and Their Victms, 7th, 2016), onde exemplifica que a somnofilia é uma parafilia que pode anteceder uma pseudo-necrofilia(onde o indivíduo de forma oportunista abusa de uma pessoa morta), e posteriormente pode se tornar um necrófilo (que pode matar a pessoa para explorá-la sexualmente) e, ainda por fim pode surgir o necro-sadismo onde há a mutilação para gratificação sexual.

O modo de agir do portador da somnofilia baseia-se na busca pela inconsciência da vítima, podendo:

  • Lutam para respirar enquanto são clorofórmicos (uma fantasia popular) apenas para sucumbir aos braços de seus parceiros
  • Gasado na cadeira de um dentista
  • Beber até a inconsciência
  • Interpretação de papéis bebendo uma bebida enriquecida em um lugar exótico e levado para casa
  • Métodos anestésicos
  • Consultórios de ginecologia, obstetrícia entre outros.

 

Necrophilia

Necrofilia é uma forma de desvio sexual onde o indivíduo tem relações sexuais com cadáveres. Dobbert (2009) afirmou que o foco dessa “parafilia sexual bizarra” envolve excitação sexual recorrente e intensa com cadáveres (p. 24). Ele explica que alguns indivíduos podem ser sexualmente despertados apenas pela visão ou imagem de um cadáver, enquanto outros indivíduos podem realmente se envolver em atividade sexual com um cadáver. No entanto, independentemente da gravidade do comportamento exibido pelo indivíduo, Dobbert indicou que o comportamento e a subsequente excitação sexual intensa são “aberrantes” (anormais/desviantes) (p. 24) (ver também Dobbert, 2004, p. 37).

 

Em 1972, os psicólogos Dr. Calef e Dr. Weinshel publicaram um artigo no International Journal of Psychoanalysis que usava a  sonofilia como “Síndrome da Bela Adormecida”. Este artigo sugeriu que a sonofilia era um “equivalente neurótico” da necrofilia.  A maior diferença entre a sonofilia e a necrofilia é que os indivíduos que atendem aos critérios diagnósticos para a sonofilia estão interessados ​​apenas em indivíduos que ainda estão vivos.

Alguns comportamentos parafílicos passam a ser transtorno, por não ser consensual, como pedofilia, voyuerismo . Comportamento parafílico, muitas vezes é determinado por não ser o abitual, o padrão, e passa a ser considerado transtorno, quando prejudica a vida pessoal do portador ou de outras pessoas, é repetido frequentemente, sem controle, quando não consideram a outra pessoa participando de maneira consensual na atividade sexual.

O voyuerismo por exemplo, se ferir a privacidade da pessoa, e tornar-se ilegal, então passa a ser um problema, por não ser consensual.

 

 

Caso anestesista, considerações

Pode apresentar (personalidade antissocial), aqui também temos o indivíduo com alto psicoticismo (baixa empatia, sem arrependimento) o indivíduo tem uma compulsão, impulsividade, falta de preocupação com as pessoas que estavam perto, há um espectro de voyeurismo, dominação e controle, percebo mais uma necessidade de controle da situação, busca por excitação, não necessariamente voltado para a necrofilia ainda. Seu aparente narcisismo o coloca da posição de controle para a versão vítima da situação.

 

Referências:

https://medcraveonline.com/JPCPY/somnophilia-and-the-sleeping-beauty-syndrome—the-unknown-patterns-of-arousal.html

https://link.springer.com/article/10.1007/s11896-018-9259-z

What is Somnophilia?

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2008.

A Anatomia da Violência: As Raízes Biológicas da Criminalidade de Adrian Raine.

 

 

 

Petter Anderson Lopes

Petter Anderson Lopes

Perito Judicial em Forense Digital, Criminal Profiling & Behavioral Analysis

Especialista em Criminal Profiling, Geographic Profiling, Investigative Analysis, Indirect Personality Profiling

CEO da PERITUM – Consultoria e Treinamento LTDA.

Perito em Forense Digital, Investigação de Fraudes | Perfilação Criminal e Análise Comportamental | OSINT, HUMINT | Autor e Professor | SI, Arquitetura Segura e Software Developer

Certified Criminal Profiling pela Heritage University(EUA) e Behavior & Law(Espanha), coordenado por Mark Safarik ex diretor da Unidade de Análise Comportamental do FBI, endossado pela CPBA (Criminal Profiling & Behavioral Analysis International Group).

Certificado em Forensic Psychology (Psicologia Forense, Entrevista Cognitiva) pela The Open University.

Certificado pela ACE AccessData Certified Examiner e Rochester Institute of Technology em Computer Forensics.

CBO 2041-10  "Elaboram laudo pericial, organizando provas e determinando as causas dos fatos. Realizam diligências, examinando locais, buscando evidências, selecionando e coletando indícios materiais e encaminhando peças para exames com ou sem quesitos. Analisam provas, peças, materiais, documentos e outros vestígios relacionados aos fatos. Efetuam cálculos, medições, assim como, solicitam e/ou realizam ensaios laboratoriais, utilizando e desenvolvendo técnicas e métodos científicos"

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Aqui você conhecerá:

O que é Criminal Profiling?
A História do Criminal Profiling
A Psicologia Investigativa
Método BEA
Vitimologia
Transtornos de personalidade
Mass Murder, Spree Killer, Serial Killer
Predador Sexual em Série, Mitos
Abordagem Geográfica, Clínica, Top Down, Bottom Up
Modus Operandi e Assinatura
Coleta e Processamento de informações
Avaliação do crime
Hipóteses de perfil
Uso investigativo